Fotógrafo registra cidade mais fria do mundo

O fotógrafo neozelandês Amos Chapple realizou uma série de fotografias do cotidiano dos moradores do vilarejo mais gelado do mundo

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No Centro-Oeste brasileiro existem cidades onde a temperatura mais alta e mais baixa de um mesmo ano sofre variação de apenas poucos graus e o calor é intenso durante os 365 dias que separam dezembro de janeiro, mas viver no calor é fácil perto de quem enfrenta temperaturas negativas o ano todo.

A fim de capturar a vida e os hábitos daqueles que enfrentam temperaturas geladas, o fotógrafo neozelandês Amos Chapple realizou uma série na cidade mais fria do mundo. Localizada no coração da Sibéria, a aldeia de Oymyakon – vilarejo onde habitam pouco mais de 500 pessoas na Rússia – é considerada o lugar habitado mais frio da Terra.

No ano de 1933 os termômetros do vilarejo registraram uma temperatura de -67,7 ° C, a mais baixa já registada para qualquer local habitado do planeta. Para chegar a esse pequeno canto gelado, o fotógrafo enfrentou uma jornada de dois dias de viagem partindo de Yakutsk, uma cidade de 300 mil habitantes com temperaturas médias de inverno de -34 ° C, o que a torna a cidade grande mais fria do mundo.
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O fotógrafo narrou que o mais difícil da experiência não foi enfrentar o frio, mas manusear a máquina fotográfica. As temperaturas eram tão baixas que o foco e o zoom das lentes ficavam congelados.

No dialeto local, Oymyakon significa água não congelada. O vilarejo está localizado na proximidade de fontes naturais de água que é a razão de sua existência. A pequena cidade foi fundada para amparar pastores de renas que utilizavam as águas termais da região para aquecer seus rebanhos.

Atualmente, o vilarejo é abastecido por uma única e pequena loja que oferece tudo o que a população precisa, enquanto uma central de aquecimento de carvão mantém os habitantes a uma temperatura aceitável. Seus moradores enfrentam dificuldades que o resto do mundo nem imagina existir, como a pouca água encanada devido ao terreno congelado e a necessidade de manter os veículos automóveis em garagens aquecidas para não congelarem.

Oymyakon fez história em 1926, quando atingiu a temperatura recorde de 71,2 graus abaixo de zero, mas essa medida nunca foi oficialmente reconhecida. Nenhum outro lugar permanente habitado pelo ser humano jamais registou frio tão espantoso. Confira mais sobre seu trabalho na página do Facebook.

 

Fotos:  Amos Chapple (divulgação)
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Sebastião Salgado representa o Brasil no Oscar 2015

Documentário sobre a carreira fotográfica de Sebastião Salgado é indicado ao Oscar 2015

Foto: Sebastião Salgado por Bruna Prado

Foto: Sebastião Salgado por Bruna Prado

As lentes da máquina fotográfica de Sebastião Salgado têm muito para contar e as câmeras do cinema não ficaram alheias a este fato. O fotógrafo que já foi destaque de nosso Blog AZ quando publicamos a reportagem O mundo Pelas Lentes de Sebastião Salgado agora ganhou destaque também da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood quando, nesta manha, teve seu filme indicado ao Oscar 2015 como melhor documentário.

O filme é dirigido pelo renomado realizador alemão Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, filho de Sebastião Salgado. Em “O Sal da Terra”, o próprio fotógrafo vai contando as histórias por trás de suas fotos mais emblemáticas, começando pelas impressionantes fotos feitas em Serra Pelada nos anos 80. Wenders e Juliano narram alguns trechos, mas falam bem menos que o próprio fotógrafo.

A história do fotógrafo começa em Aimorés, interior de Minas Gerais, no ano de 1944 quando nasceu. Hoje cidadão do mundo, Salgado seguiu seu caminho esperando se tornar um economista. Com graduação e pós-graduação na área, Sebastião se mudou para Paris, onde atuou como economista e acabou se tornando fotógrafo.Livro Gênesis 3 - Sebastião Salgado

O fotógrafo viajou para mais de 100 países entre os anos de 2004 e 2012 visitando regiões como o Alasca, a Patagônia, a Etiópia e a Amazônia – histórias que estão narradas no documentário. “Era como seu eu tivesse vendo toda a história da humanidade, a construção das pirâmides no Egito. Não se ouvia o barulho de uma única máquina”, contou em um trecho do filme sobre suas viagens.

O interesse de Wenders por Sebastião está registrado no próprio filme. Em um de seus depoimentos para o documentário, o diretor conta que conheceu o trabalho de Salgado há 25 anos, quando, ao visitar uma galeria, se emocionou com a imagem de uma mulher cega feita por Salgado para um dos seus primeiros projetos. “Desde então eu me tornei um admirador incondicional do seu trabalho, mas só vim a conhecê-lo pessoalmente há seis anos”, contou para as câmeras.

Ao lado da história de Salgado, concorre ao Oscar na mesma categoria Citizenfour, Finding Vivian Maier, Last Days in Vietnam e The Salt of the Earth. A cerimônia de premiação do Oscar será realizada em 22 de fevereiro.
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Je suis Charlie, je suis l’humanité

Museu de Arte Moderna do Rio traz exposição que lembra que a luta pela liberdade de expressão e pelo fim de preconceitos não é tema novo

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Há uma semana do ataque terrorista na sede da revista francesa Charlie Hebdo, o Blog AZ mistura arte e luta social em defesa dos direitos humanos livre de qualquer preconceito. O Charlie Hebdo é conhecido por publicações de humor crítico ao fundamentalismo religioso, chegando a ser acusado de islamofóbico. A revista foi alvo, na última quarta-feira (8), do atentado que deixou 12 mortos entre jornalistas e policiais.

O mundo se dividiu entre ser Charlie pelo simples fato de repudiar a violência ou não ser Charlie por acreditar que, mesmo com violência injustificada, a liberdade de expressão deve ser limitada. Sem entrar nesse mérito, o Blog AZ lembra que este tema está longe de ser novo ou superado.

Durante a ditadura militar, que assombrou o Brasil por mais de 20 anos, se expressar era um direito mitigado. Após o Ato Institucional número 5, que endureceu ainda mais o regime dos militares, todo e qualquer veículo de comunicação deveria ter a sua pauta previamente aprovada e sujeita a inspeção local por agentes autorizados.
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O período conhecido como “anos de chumbo” ficou marcado na cabeça de tantos que foram censurados e torturados. Para não esquecer esta triste memória, as lutas não pararam. A arte não precisa de tragédias como a que ocorreu em Paris para lembrar que violência não pode calar ou amedrontar uma sociedade, seja ela por religião ou por poder.

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM) mesclou fotografias tiradas em julho de 2013 – quando o Brasil saiu às ruas para pedir mudanças sociais e políticas – com àquelas tiradas durante a ditadura militar. O intuito é propagar a recusa da lógica ainda intrínseca da exclusão e do preconceito.
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“A frase-estandarte “seja marginal, seja herói”, escrita por Oiticica no começo da ditadura, não fazia apologia ao crime. Era uma convocação à resistência, à necessidade de cada um enfrentar a naturalização de um estado de exceção que se tornara norma. Ser marginal era optar pela margem, pela não acomodação, pela dissidência. Se a ordem é perversa, é uma exigência ética enfrenta-la. Sempre.”, escreveu na entrada da exposição o curador Luiz Camillo Osório.

A ida de milhares de pessoas às ruas europeias e, principalmente francesas, em defesa da liberdade e da paz é a demonstração de que quando a ordem é perversa, precisamos lutar. Foi assim que lutaram aqueles que resistiram ao período ditatorial e que foram homenageados por esse belo ensaio fotográfico exposto no segundo pavilhão do museu carioca. Confira algumas fotografias.
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A arte de brincar com a arte

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro expôs pela primeira vez o projeto Caneta, Lente & Pincel, trabalho artístico criado especialmente para a internet

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A escrita não surge apenas das mãos habilidosas do interlocutor ao se deparar com uma folha em branco. Colocar as letras, uma ao lado da outra, para que juntas formem um texto com algum sentido demanda inspiração e foi em busca de se inspirar que o projeto Caneta, Lente & Pincel surgiu.

O projeto, que nasceu há mais de cinco anos por meio de plataforma online – um badalado Blog criado pelos integrantes do coletivo –, se desenvolve através de rodadas sucessivas em que uma obra visual ou uma fotografia servem de inspiração para a criação de um texto, em prosa ou em verso. Em outras rodadas, a situação se inverte e o texto é que inspira a criação da imagem.

A brincadeira entre imagem e palavra deu jogo e o projeto está hoje exposto no térreo do Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro. A exposição foi a materialização do trabalho que era feito apenas no espaço multiforme da Internet. Para o museu foram criadas obras inéditas, atualizando a dinâmica do blog no espaço da galeria.
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Para a exposição, o primeiro artista recebeu um tema secreto (jogo) e os seguintes criaram suas obras se inspirando nas anteriores. O resultado foi um turbilhão de sentimentos. Visto de longe, a exposição é apenas uma coleção de peças artísticas sem muito sentido, mas o olhar atento nos conta o que cada artista quis narrar com suas imagens e textos.

O blog é alimentado com textos e imagens assinadas por Carlos Monteiro, Fernanda Franco, Fernanda Lefevre, Gilson Beck, Leticia Hasselmann, Magali Rios, Magda Rebello, Marcelo Damm, Marcos Sêmola, Maria Matina, Pacha Urbano, Paula Sancier, Pilar Domingo e Rudy Trindade, mas aceita a participação do público por meio de e-mails enviados aos artistas do coletivo.

Acesse e descubra esse mundo e imagem, som e palavras.
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A arquitetura de Rem Koolhaas

O arquiteto holandês ganhou espaço e fama internacional e é considerado um dos grandes representantes da arquitetura pós-moderna

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Remment Lucas Koolhaas ou apenas Rem Koolhaas estudou cinema e televisão, mas dedicou sua vida para a arquitetura após se formar na Architectural Association School of Architecture, em Londres. Atualmente, além de ser um conceituado arquiteto, é também curador da Bienal de Veneza e professor de Harvard. Com suas obras carregadas do pós-modernismo liberal, Koolhaas assina importantes obras como a Casa da Música, em Porto, e a embaixada holandesa em Berlim.

Sua arquitetura pode ser vista nos quatro cantos do mundo e seu trabalho exige uma jornada quíntupla, já que Koolhaas possui escritórios em Nova York, Pequim, Hong-Kong, Doha e Roterdã. Após sua última visita ao Brasil em 2011, Koolhaas topou falar um pouco mais sobre nosso modernismo e a arquitetura em uma entrevista para a Folha de S. Paulo.

Ao se deixar entrevistar pela Folha de S. Paulo após um ano de trocas de e-mails e negociações entre os jornalistas do jornal brasileiro e a assessoria do arquiteto holandês, Rem Koolhaas falou sobre sua paixão pelo modernismo brasileiro e direcionou duras críticas ao arquiteto que desenhou Brasília. Para o ganhador do Pritzker em 2000, Niemeyer era um hedonista que não respeitava as regras e nem a cidade que criou.

“Podemos aprender com Brasília que algo artificial e recente pode oferecer – em um período de tempo incrivelmente curto – um ambiente urbano criativo, produtivo e instigante”, elogiou a seu modo a modernidade da cidade de Niemeyer. Quando foi falar no arquiteto, entretanto, não deixou de criticar a forma como o brasileiro se perde em um homem e para de olhar o que está por trás ou além dele. “Os brasileiros estão muito aferrados a Niemeyer”, comentou durante a entrevista para a Folha de S. Paulo. “Ele criou uma bruma que impede que olhem além da sombra de um grande homem”.

Ao criticar os últimos trabalhos do arquiteto em Brasília, Koolhaas disse acreditar que Niemeyer estava projetando sua própria caricatura em um gesto quase hedonista. Koolhaas afirma que seu investimento emocional está na arte, então não fica difícil entender porque que o arquiteto topou colaborar com a Bienal de Veneza.

O construtor principal

Dia 15 de dezembro o Brasil comemora o dia do Arquiteto e o Blog AZ não poderia deixar a data passar em branco

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O que seria do desenho sem a arquitetura? Ou do design? Essa profissão, tão importante para o Armazém da Decoração, não poderia ser esquecida por nosso Blog AZ e o post de hoje é uma homenagem especial ao dia 15 de dezembro: dia do Arquiteto. A data, que antes era comemorada no dia 11 do mesmo mês, passou a ser celebrada quatro dias mais tarde em 2012 com a morte de Oscar Niemeyer. Hoje a data é comemorada no mesmo dia em que nasceu o mestre da arquitetura nacional.

Nascida da palavra grega arkhitektôn, que significa “o construtor principal”, a arquitetura tem algumas figuras ilustres na história nacional e mundial. Oscar Niemeyer é apenas um de seus representantes, mas não poderíamos deixar de citar Le Corbusier, Aleijadinho, Charlotte Perriand e outros tantos que não caberiam nessas linhas.

Na história, o mais antigo tratado arquitetônico de que se tem notícia, e que propõe uma definição de arquitetura, é o do arquiteto romano Marco Vitrúvio Polião. Ele dizia que “A arquitetura é uma ciência, surgindo de muitas outras, e adornada com muitos e variados ensinamentos: pela ajuda dos quais um julgamento é formado daqueles trabalhos que são o resultado das outras artes”.

É com essas antigas palavras que o Armazém da Decoração dedica este post aos profissionais da arte de construir. Feliz 15 de dezembro, feliz dia do Arquiteto!

Vamos falar de moda e de Alexander Wang

Alexander Wang tem apenas 30 anos e é considerado um dos talentos mais influentes do mundo da moda atual

(Foto: Vogue)

(Foto: Vogue)

“Vamos falar de moda” foca hoje em um jovem talento do design das passarelas. Jovem dentro e fora da moda, já que Alexander Wang tem apenas 30 anos de idade. O americano é diretor artístico da Balanciaga – maison de moda criada pelo espanhol Cristóbal Balenciaga e incorporada ao grupo Gucci em 2001 – e é considerado um dos talentos mais influentes do mundo da moda atual.

Depois de sua chegada a Nova York as portas do mundo fashion não pararam de se abrir para o jovem de então 19 anos. Na cidade que nunca dorme, Alexander Wang passou os dias e noites acordado estudando design na Persons The New School For Design. Em 2005, após dois anos em Persons, Wang lançou sua primeira coleção assinada, uma linha de roupas de malha.

No outono de 2007, Wang apresentou a coleção prêt-à-porter de roupas femininas na passarela de Nova York pela primeira vez e o resultado foi um sucesso. A crítica passou a conhecer seu nome e seu caimento. No ano seguinte ele recebeu seu primeiro grande prêmio, o Council of Fashion Designers of America em parceria com a revista Vogue (CFDA/Vogue), uma honra acompanhada da quantia de US$ 20.000 para expandir sua empresa.

Já com nome consolidado no fechado mercado da moda, Alexander Wang criou algumas coleções assinadas por sua empresa até se juntar a Balenciaga em 2012. Com um olhar mais ousado, bem diferente do design tradicional do fundador da marca, Wang deu nova cara para a empresa. Em 2013 abriu duas novas flagships da marca no charmoso bairro de SoHo, em Nova York, com um design muito distante daquele desenvolvido pelo espanhol Cristóbal Balenciaga.

Outra parceria de Wang que deu o que falar nas paginas das revistas de moda foi sua assinatura para alguns looks da nova coleção da H&M. Várias peças de estilo esportivo, em preto, branco e cinzento, e um vestido preto que pretende reinventar o corte clássico, compuseram o editorial apresentado pela Vogue holandesa que tirou o véu do suspense do resultado dessa parceria.

Alexander Wang para H&M

Alexander Wang para H&M

Flaship Balenciaga em SoHo (NY)

Flaship Balenciaga em SoHo (NY)

“Pra guardar na memória”

Empresário, engenheiro civil e fotógrafo nas horas vagas, Naldo Mudim fala um pouco sobre seu trabalho com a fotografia

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Empresário, engenheiro civil e fotógrafo nas horas vagas. Naldo Mudim mostrou que seu hobby tem talento e de sobra. Naldo começou na fotografia aos 15 anos de idade e desde então não parou. Inquieto por onde passa, registra com sua câmera o que, aos olhos comuns, passa despercebido.

O engenheiro vê na Arquitetura, Engenharia e Design cores, formas e arte. “A fotografia é uma paixão que tenho desde pequeno, mas esse foco em design, arquitetura e engenharia veio depois que comecei a trabalhar no seguimento”, explicou o engenheiro e empresário. Naldo é dono da HSI Incorporadora e, embora não tenha a art deco como inspiração na hora de projetar seus prédios, escolheu o movimento artístico como inspiração para sua fotografia.

Ele tirou algumas fotos, em detalhes, de construções nascidas no auge do movimento art deco na década de 30, quando Goiânia começou a ser construída. “O poder público não dá muita atenção para os edifícios mais antigos da cidade. Alguns marcos de art deco da cidade, como o relógio do fim da Avenida Goiás, estão abandonados”.

Para Naldo, a fotografia é uma poderosa ferramenta de preservação da nossa memória. “A fotografia foi um jeito que escolhi para preservar esse lado artístico da arquitetura goianiense”, explicou. “Eu acho que a art deco em Goiânia vai ser perdida com o tempo”.

Quatro fotografias sobre o tema foram selecionadas pelo arquiteto e designer Léo Romano para serem expostas durante o Papo Design com Marcus Ferreira na última quinta-feira (6) na Sala Conceito do Armazém da Decoração. Mas não é só de art deco que vive seu trabalho fotográfico. Belas paisagens e pequenos detalhes nunca passam despercebidos pelas lentes de sua câmera.

Além da exposição no Armazém da Decoração, o trabalho de Naldo Mundim pode ser visto na suíte presidencial renovada do Castro’s Park Hotel, onde foram explorados temas da cidade de Goiânia.
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Fotos: Naldo Mundim

Começa hoje a segunda edição do MADE em São Paulo

Entre os dias 5 e 9 de novembro, Waldick Jatobá realiza a segunda edição do Mercado de Arte e Design (MADE) na capital paulista

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Os buchichos sobre o momento vivido pelo mercado de arte andaram movimentando o cenário do design em São Paulo desde o último ano. É que o empresário e curador Waldick Jatobá idealizou uma feira com tudo sobre design e arte. Hoje, o Jockey Club de São Paulo abriu suas portas para receber a segunda edição do MADE – Mercado de Arte e Design, que acontece entre os dias 5 e 9 de novembro na capital paulista.

“O colecionador de arte começa também a querer buscar exclusividade nos móveis da sua casa, investe em mobiliário de design autoral e em edições limitadas”, explicou Waldick Jatobá sobre a abertura da feira para a entrada do design mobiliário. O evento é uma é feira de negócios e uma plataforma multifacetada que apoia do design vintage ao contemporâneo, a arte, a arquitetura, o design urbano, projetos gráficos e o artesanato.

O MADE é formado por exposições e instalações que levam o nome de renomadas galerias de arte. O evento é um espaço coletivo que apresenta e dá destaque a designers e estúdios, nacionais e internacionais, revelando novos talentos, incentivando novas produções e a ampliação da cultura do design a milhares de pessoas.

Este ano a edição do MADE 2014 une-se às comemorações do centenário de nascimento da italiana Lina Bo Bardi, arquiteta modernista que passou grande parte da vida no Brasil. Lina foi a inspiração para a cenografia da feira, realizada pelo Atelier Marko Brajovic, e ganhou uma exposição própria e inédita do histórico do seu trabalho e sobre seu olhar para a arte popular. O designer inglês Michael Young também será homenageado pelo evento.

As atividades acontecem no Jockey Club de São Paulo a partir das 18 horas durante a semana e após as 15 no sábado e domingo com palestras, fóruns e mesas redondas.

Arte e design a mil

Pesquisa Latitude mostra que mercado de arte está aquecido no Brasil e cada vez mais países estão comprando arte nacional

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Em ano de eleição muito se fala no pessimismo do mercado e queda nos indicadores econômicos, mas a maré está para o design. Nos últimos anos, pesquisas vêm mostrando que o mercado de arte está com a temperatura alta e sem previsão de chegada de inverno. É fato que as galerias estão vendendo muito e novos colecionadores surgiram para aumentar seu público alvo.

Em 2013 o projeto Latitude, instituição formada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações (APEX) e a Associação Brasileira de Arte Contemporânea (ABACT), afirmou que o mercado cresceu 22,5% no ano anterior, três vezes a média mundial, que era de 7%. Galerias como Vermelho, Fortes Vilaça, Luciana Britto, Luisa Strina integraram os 44 centros de arte que participaram da pesquisa e todas afirmam estar passando por um ótimo momento de vendas nos últimos anos.

A pesquisa divulgada no início de 2013 demonstrou que 81% dessas galerias aumentaram suas vendas e 70% afirma ter ampliado sua equipe, além de 60% delas terem reajustado as obras vendidas em 15%, percentual bem acima da inflação no período. Este ano os números apenas melhoraram.

Em abril desse ano, o mesmo instituto divulgou nova pesquisa, com uma amostragem de 45 galerias espalhadas pelo país, mostrando os números e informações sobre o mercado de artes visuais no Brasil e seus reflexos pelo mundo afora. A novidade desse ano foi que a pesquisa apontou uma invasão de jovens talentos no ramo. Agora não apenas formado por artistas, a nova geração está também comandado as galerias e centros de arte.

A pesquisa publicada este ano, sobre os dados de 2013, mostrou também que 71% das galerias afirmaram ter vendido para o mercado internacional, enquanto em 2012 esse número era de 60%. Essa internacionalização da arte foi bastante ampla, no ano passado cerca de 30 países adquiriram arte brasileira. Quando falamos em arte, este termo não está restrito a pinturas e esculturas. Mobiliário assinado também está sendo vendido para colecionadores e amantes da arte em todo o mundo.